domingo, 5 de junho de 2016

IMPORTÂNCIA DO ATO DE BRINCAR


SEMINÁRIO VIRTUAL DE INFORMÁTICA E EDUCAÇÃO


IMPORTÂNCIA DO ATO DE BRINCAR

André Luis L. de E. Fagundes
Felipe Silva Dantas

O tema do nosso seminário gira em torno da importância das brincadeiras para o bem estar e desenvolvimento humano. Sendo assim, buscamos apresentar aos nossos colegas de turma diferentes informações que esclareçam e tragam novos aprendizados para um tema que parece muito óbvio e que alguns talvez já tenham pensado sobre ele já que, desde pequenos praticamos a ação de brincar e é natural pensarmos sobre nossas ações. Nossa pesquisa terá o foco voltado para três facetas do impacto das brincadeiras em nossas vidas: o ato de brincar como forma de potencializar o aprendizado; a exploração que o mercado faz sobre o desejo de brincar humano e suas consequências; e a diferença entre brincadeira e zoeira.
Algum de nossos ouvintes já observou gatinhos brincando com objetos ou com outros gatinhos? Quem já pôde observar o crescimento desse felino fofinho conseguiu perceber que muitos dos movimentos que eles realizam enquanto brincam os ajuda a desenvolver suas capacidades motoras e comportamentais que os acompanham por toda vida. De acordo com o site Espaço Animal (http://www.espacoanimal.com.br/mostra.phpid=237) alguns cientistas têm se dedicado a pesquisar a brincadeira no mundo animal e alguns já podem afirmar que todos os animais brincam. Eles afirmam também que os filhotes de animais brincam para: aprender códigos sociais, exercitar posturas de dominância e submissão, desenvolver habilidades motoras, treinar estratégias de caça e luta, reforçar aptidão reprodutiva e explorar o ambiente. Bom, essas curiosidades sobre as brincadeiras do mundo animal são apenas para reforçar que brincar é muito sério e importante para nós humanos pois se todos os animais brincam e conseguem tirar proveito disso para sua satisfação e sobrevivência, quem dirá para nós!
Muitos cientistas já pesquisaram sobre a importância das brincadeiras para o aprendizado humano. Um dos expoentes nesse assunto foi o psicólogo russo Lev Vygotsky. Ele traça uma série de conceitos que demonstram que a partir do jogo simbólico, que ele chama de brinquedo, que a criança assume papéis com regras bem definidas que a levarão a agir de maneira similar à situação por ela imitada, ou seja, quando brinca de motorista ela cria um cenário imaginário, como estivesse ao volante de um veículo; seus movimentos representam os de um motorista no ato de dirigir. O movimento dos pés apertando os pedais, as mãos segurando o volante e girando de um lado para o outro, o aperto e o som da buzina pedindo passagem, o movimento de passar as marchas, etc.. Dessa forma a criança faz um movimento de aproximação de ações mais complexas do que as que estão acostumadas a fazer e acaba dando saltos em seu desenvolvimento psicológico. O conceito de zona de desenvolvimento proximal elaborado por Vygotsky pode ser observado nesse momento em que ela, ao observar as ações de um par mais experiente, no caso algum motorista que ela viu dirigindo ou um colega, passa a fazer coisas que antes não poderia sem que tivesse essa “ajuda” de alguém. Nesse caso a ajuda seria de forma indireta pela imitação das ações de um par mais experiente.
“Em resumo, o brinquedo cria na criança uma nova forma de desejos. Ensina a desejar, relacionando seus desejos a um “eu” fictício, ao seu papel no jogo e suas regras. Dessa maneira, as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo (jogo simbólico ou faz de conta), aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade.” (VYGOTSKY, L. S., A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2003. Pg. 131).
Na Educação Infantil é comum as educadoras utilizarem como método de trabalho as brincadeiras como forma de trabalhar até porque a brincadeira é a linguagem da criança por excelência e tentar trabalhar conhecimentos de forma mais séria e “didática” seria uma perda de tempo. Nos outros níveis educacionais (fundamental, médio e superior) as brincadeiras são vistas como algo menor e que atrapalham o trabalho sério que deve ser exercido pela escola, sendo o recreio ou os intervalos são uma válvula de escape para as brincadeiras e a liberdade das crianças, adolescentes e adultos desses diferentes níveis educacionais. Dessa forma as aulas tornam-se enfadonhas e não conseguem envolver a atenção das crianças fazendo com que elas muitas vezes se dispersem e não alcancem aquilo que o professor deseja que aprendam. O documentário “Quando sinto que já sei” (https://www.youtube.com/watch?v=HX6P6P3x1Qg) nos mostra exemplos de escolas onde o ensino acontece de forma mais leve e em alguns casos parte da curiosidade infantil surgida nas brincadeiras.
Ao brincarmos interagimos de forma mais prazerosa com o meio em que estamos inseridos, tanto com os objetos, pessoas ou novos conhecimentos. Normalmente as brincadeiras proporcionam um dos movimentos mais básicos e primários da espécie humana, o riso. Este, estabelece uma ponte de contato social que facilita a interação entre nós humanos e para alguns cientistas chega a ser um dos nossos mecanismos de sobrevivência. De acordo com a psicobióloga Silvia Helena Cardoso (2001), “O riso é uma das nossas primeiras experiências de vida. Ele dá início à interação com o mundo ao nosso redor. O ato de brincar é essencial para a aprendizagem e para forjar ligações sociais. Precisamos dos risos e das brincadeiras para interagirmos como indivíduos com grupo social no qual nos inserimos, e também para aliviar as tensões sociais do cotidiano. Alguns cientistas acreditam que as brincadeiras são parte essencial da formação do caráter. Quando brincamos, simulamos e desenvolvemos as mesmas situações cotidianas que viveremos mais tarde durante a vida adulta.” (http://www.cerebromente.org.br/n15/mente/laughter2/info-ciencia.html).
Cientistas já afirmam que o riso proporciona diversos benefícios à nossa saúde. Ao favorecer as brincadeiras em sala de aula e consequentemente o riso, estaremos contribuindo com a possibilidade de nossos alunos sentirem-se melhores e menos estressados. De acordo com o site Minha Vida (http://www.minhavida.com.br/bem-estar/galerias/13491-11-beneficios-que-o-riso-traz-para-a-sua-saude/#carousel-galeria) o riso traz 11 benefícios para nossa saúde, entre eles estão: redução do risco de doenças cardíacas, aumento nos níveis de colesterol bom no sangue, diminuição na pressão arterial, aumento da absorção de oxigênio pelos pulmões, melhora da digestão de alimentos, aumento da circulação sanguínea, fortalecimento do sistema imunológico, retardamento do aparecimento de rugas, melhora da condição física, da autoestima e maior capacidade de fazer novos relacionamentos.
Atualmente muitos professores têm apresentado problemas de saúde relacionados ao estresse provocado pela sala de aula. A escola em seu formato atual cria um ambiente de tensão que favorece os conflitos entre os diferentes atores envolvidos no processo e como consequência temos alunos desmotivados que não aprendem e professores cansados, estressados e doentes que não conseguem ajudar seus alunos a construírem conhecimento.
Então, futuros professores, que tal fazermos diferente? Que tal tentarmos brincar mais em nossas aulas? Propomos aqui que nossas práticas pedagógicas sejam pautadas no lúdico, naquilo que dará prazer a nós professores e a nossos alunos, tornando o aprendizado algo mais leve, prazeroso e significativo. SEJAMOS PROFESSORES BRINCANTES!




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