quinta-feira, 23 de junho de 2016

Indicação de livros sobre Educação Infantil e a importância do brincar.

Abaixo deixamos uma lista de livros para interessados no assunto sobre a importância do brincar, sobre educação infantil, organização do espaço e outros assuntos relacionados. Quando tiverem tempo, procurem e leiam, irá agregar ótimo conhecimento sobre a temática e trará boa base teórica e ideias para o trabalho com os pequenos.

PANIAGUA & PALACIOS. Educação Infantil
DE VRIES & ZAN. A Ética na Educação Infantil.
VASCONCELLOS. Educação da Infância: História e Política
ROCHA & KRAMER. Educação Infantil: Enfoques em diálogo.
AYRES. Educação Infantil.
KISHIMOTO. O Brincar e suas Teorias.
OLIVEIRA. Educação Infantil: Muitos Olhares.
KRAMER (org.). Infância e Educação Infantil.
KISHIMOTO, PINAZZA & FORMOSINHO. Pedagogia(s) da Infância.
ANTUNES. Interações, brincadeiras e valores na Educação Infantil.
CEPPI & ZINI. Crianças, Espaços, Relações: Como projetar ambientes para a Educação Infantil.

Depois traremos algumas passagem destes livros e sinopses. Mas valem a leitura. Deixem ideias de livros sobre o assunto nos comentários para compartilhar conosco e com nossos leitores, todo estudo é válido para um atendimento e trabalho cada vez mais qualificado com os pequenos.

Importância do brincar. Enriquecendo ainda mais o tema com a fala de Tisuko Morchida (USP).

 Enriquecendo ainda mais o blog, segue esse vídeo que vai explicar a importância do brincar, com a professora da USP, Tisuko Morchida. Não vai perder tempo vendo, só vai sair ganhando.
Deixem seus comentários
Vocês lembram como brincavam na infância? Algumas coisas que aconteciam no meio da brincadeira, as invenções que fazíamos e como eram algumas discussões, pois às vezes as brincadeiras eram levadas a sério. Então, o comediante Thiago Ventura fez alguns vídeos sobre brincadeiras infantis. Relevem alguns palavrões que possam ter, nada de mais do que já ouvimos e algumas vezes proferimos por ai, mas deem boas risadas com as lembranças dele e que certamente nos remeterão à bons momentos da nossa infância.
Deixe nos comentários as suas lembranças, as brincadeiras prediletas e momentos engraçados que ocorreram nelas.

Bolinha de Gude

Pipa

Esconde-Esconde

E ai, gostou? Sim? Não? Então deixe seu comentário e vamos lembrar das nossas infâncias.

domingo, 5 de junho de 2016

IMPORTÂNCIA DO ATO DE BRINCAR


SEMINÁRIO VIRTUAL DE INFORMÁTICA E EDUCAÇÃO


IMPORTÂNCIA DO ATO DE BRINCAR

André Luis L. de E. Fagundes
Felipe Silva Dantas

O tema do nosso seminário gira em torno da importância das brincadeiras para o bem estar e desenvolvimento humano. Sendo assim, buscamos apresentar aos nossos colegas de turma diferentes informações que esclareçam e tragam novos aprendizados para um tema que parece muito óbvio e que alguns talvez já tenham pensado sobre ele já que, desde pequenos praticamos a ação de brincar e é natural pensarmos sobre nossas ações. Nossa pesquisa terá o foco voltado para três facetas do impacto das brincadeiras em nossas vidas: o ato de brincar como forma de potencializar o aprendizado; a exploração que o mercado faz sobre o desejo de brincar humano e suas consequências; e a diferença entre brincadeira e zoeira.
Algum de nossos ouvintes já observou gatinhos brincando com objetos ou com outros gatinhos? Quem já pôde observar o crescimento desse felino fofinho conseguiu perceber que muitos dos movimentos que eles realizam enquanto brincam os ajuda a desenvolver suas capacidades motoras e comportamentais que os acompanham por toda vida. De acordo com o site Espaço Animal (http://www.espacoanimal.com.br/mostra.phpid=237) alguns cientistas têm se dedicado a pesquisar a brincadeira no mundo animal e alguns já podem afirmar que todos os animais brincam. Eles afirmam também que os filhotes de animais brincam para: aprender códigos sociais, exercitar posturas de dominância e submissão, desenvolver habilidades motoras, treinar estratégias de caça e luta, reforçar aptidão reprodutiva e explorar o ambiente. Bom, essas curiosidades sobre as brincadeiras do mundo animal são apenas para reforçar que brincar é muito sério e importante para nós humanos pois se todos os animais brincam e conseguem tirar proveito disso para sua satisfação e sobrevivência, quem dirá para nós!
Muitos cientistas já pesquisaram sobre a importância das brincadeiras para o aprendizado humano. Um dos expoentes nesse assunto foi o psicólogo russo Lev Vygotsky. Ele traça uma série de conceitos que demonstram que a partir do jogo simbólico, que ele chama de brinquedo, que a criança assume papéis com regras bem definidas que a levarão a agir de maneira similar à situação por ela imitada, ou seja, quando brinca de motorista ela cria um cenário imaginário, como estivesse ao volante de um veículo; seus movimentos representam os de um motorista no ato de dirigir. O movimento dos pés apertando os pedais, as mãos segurando o volante e girando de um lado para o outro, o aperto e o som da buzina pedindo passagem, o movimento de passar as marchas, etc.. Dessa forma a criança faz um movimento de aproximação de ações mais complexas do que as que estão acostumadas a fazer e acaba dando saltos em seu desenvolvimento psicológico. O conceito de zona de desenvolvimento proximal elaborado por Vygotsky pode ser observado nesse momento em que ela, ao observar as ações de um par mais experiente, no caso algum motorista que ela viu dirigindo ou um colega, passa a fazer coisas que antes não poderia sem que tivesse essa “ajuda” de alguém. Nesse caso a ajuda seria de forma indireta pela imitação das ações de um par mais experiente.
“Em resumo, o brinquedo cria na criança uma nova forma de desejos. Ensina a desejar, relacionando seus desejos a um “eu” fictício, ao seu papel no jogo e suas regras. Dessa maneira, as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo (jogo simbólico ou faz de conta), aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade.” (VYGOTSKY, L. S., A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2003. Pg. 131).
Na Educação Infantil é comum as educadoras utilizarem como método de trabalho as brincadeiras como forma de trabalhar até porque a brincadeira é a linguagem da criança por excelência e tentar trabalhar conhecimentos de forma mais séria e “didática” seria uma perda de tempo. Nos outros níveis educacionais (fundamental, médio e superior) as brincadeiras são vistas como algo menor e que atrapalham o trabalho sério que deve ser exercido pela escola, sendo o recreio ou os intervalos são uma válvula de escape para as brincadeiras e a liberdade das crianças, adolescentes e adultos desses diferentes níveis educacionais. Dessa forma as aulas tornam-se enfadonhas e não conseguem envolver a atenção das crianças fazendo com que elas muitas vezes se dispersem e não alcancem aquilo que o professor deseja que aprendam. O documentário “Quando sinto que já sei” (https://www.youtube.com/watch?v=HX6P6P3x1Qg) nos mostra exemplos de escolas onde o ensino acontece de forma mais leve e em alguns casos parte da curiosidade infantil surgida nas brincadeiras.
Ao brincarmos interagimos de forma mais prazerosa com o meio em que estamos inseridos, tanto com os objetos, pessoas ou novos conhecimentos. Normalmente as brincadeiras proporcionam um dos movimentos mais básicos e primários da espécie humana, o riso. Este, estabelece uma ponte de contato social que facilita a interação entre nós humanos e para alguns cientistas chega a ser um dos nossos mecanismos de sobrevivência. De acordo com a psicobióloga Silvia Helena Cardoso (2001), “O riso é uma das nossas primeiras experiências de vida. Ele dá início à interação com o mundo ao nosso redor. O ato de brincar é essencial para a aprendizagem e para forjar ligações sociais. Precisamos dos risos e das brincadeiras para interagirmos como indivíduos com grupo social no qual nos inserimos, e também para aliviar as tensões sociais do cotidiano. Alguns cientistas acreditam que as brincadeiras são parte essencial da formação do caráter. Quando brincamos, simulamos e desenvolvemos as mesmas situações cotidianas que viveremos mais tarde durante a vida adulta.” (http://www.cerebromente.org.br/n15/mente/laughter2/info-ciencia.html).
Cientistas já afirmam que o riso proporciona diversos benefícios à nossa saúde. Ao favorecer as brincadeiras em sala de aula e consequentemente o riso, estaremos contribuindo com a possibilidade de nossos alunos sentirem-se melhores e menos estressados. De acordo com o site Minha Vida (http://www.minhavida.com.br/bem-estar/galerias/13491-11-beneficios-que-o-riso-traz-para-a-sua-saude/#carousel-galeria) o riso traz 11 benefícios para nossa saúde, entre eles estão: redução do risco de doenças cardíacas, aumento nos níveis de colesterol bom no sangue, diminuição na pressão arterial, aumento da absorção de oxigênio pelos pulmões, melhora da digestão de alimentos, aumento da circulação sanguínea, fortalecimento do sistema imunológico, retardamento do aparecimento de rugas, melhora da condição física, da autoestima e maior capacidade de fazer novos relacionamentos.
Atualmente muitos professores têm apresentado problemas de saúde relacionados ao estresse provocado pela sala de aula. A escola em seu formato atual cria um ambiente de tensão que favorece os conflitos entre os diferentes atores envolvidos no processo e como consequência temos alunos desmotivados que não aprendem e professores cansados, estressados e doentes que não conseguem ajudar seus alunos a construírem conhecimento.
Então, futuros professores, que tal fazermos diferente? Que tal tentarmos brincar mais em nossas aulas? Propomos aqui que nossas práticas pedagógicas sejam pautadas no lúdico, naquilo que dará prazer a nós professores e a nossos alunos, tornando o aprendizado algo mais leve, prazeroso e significativo. SEJAMOS PROFESSORES BRINCANTES!




"Caramba, Carambola, o Brincar tá na Escola"


"BRINCAR É UM JEITO DE EXISTIR, VOCÊ DESCOBRE O MUNDO TOCANDO NAS COISAS, FICANDO CURIOSO COM AS COISAS E SENDO AS COISAS"

sábado, 4 de junho de 2016

INFÂNCIA E A BRINCADEIRA: Consumismo, influência da mídia, compromissos, precocidade e o papel do adulto.

André Luis L. de E. Fagundes
Felipe Silva Dantas

Vive-se em uma sociedade capitalista, que é marcada pelo consumo desenfreado de mercadorias, as quais giram a máquina do capital e da produção de bens de consumo, os mais variados possíveis e imagináveis. Para o consumismo avassalador que notamos, a mídia é a melhor ferramenta para que este consumo se consolide.
A mídia televisiva entra em cena com diversas formas de afetar adultos e crianças, publicidades bem coloridas, com pessoas bonitas, com diversão e animações, mexendo com o imaginário de adultos e crianças, levando-as a consumir. O consumo assim se torna muito além do que o necessário para sua sobrevivência, mas algo que a estabeleça em determinados grupos sociais, que ligado à competitividade, faça do mero prazer de comprar, sua maior satisfação.
É possível demonstrar que a maior parcela do consumo de uma casa, parte das crianças, que por esse motivo, são o alvo das publicidades televisivas. Mas por que as crianças são tão atingidas pela mídia? Por que a televisão interfere tanto na educação da criança e por que os pais não vão contra o consumo desenfreado dos pequenos?
Tentando responder essas perguntas, devemos notar que o tempo que a criança fica a frente da televisão é extremamente longo, sendo a televisão utilizada como uma babá, como um mecanismo comportamental, onde a criança ficaria quieta, podendo assim os pais não se preocupar ou poderem descansar. Tendo em vista esta realidade, as propagandas, os personagens televisivos etc., servem de modelo e referência para estas crianças, que irão reproduzir hábitos e gostos dos seus “heróis”.
Teríamos em contra partida, o papel da escola nestas questões, que deveriam trazer a consciência do consumismo para foco, com um papel crítico e problematizador, mas que como instrumento social, segue no barco da “cegueira” e ignora esta questão, e até mesmo a incentiva de forma ingênua. Em datas consideradas comemorativas, onde se vincula o consumismo, vemos grande parte das instituições valorizando a compra de “coisas”, e até mesmo presenteando as crianças com produtos de beleza (maquiagem infantil, batons etc.) e produtos diferenciados para meninos e meninas. A escola opera como uma mera reprodutora das práticas sociais instaladas, assim também uma mera reprodutora do capitalismo.
Essas práticas sociais são vistas no “amadurecimento” precoce das crianças, dos preconceitos gerados contra elas mesmas, por terem de estar adequadas a uma criação de padrão de beleza. Não é difícil observar meninas deixando de brincar e querendo vivenciar uma juventude antes da hora, carregada em maquiagens dignas a misses, carregando bolsas com seus batons e celulares, ao invés de um brinquedo e a vontade de brincar, ou meninos que querem demonstrar que são jovens, mini adultos deixando de brincar de várias brincadeiras, pois são ditas como de crianças. Cada vez mais temos crianças querendo vivenciar a fase da adolescência, adolescentes querendo ser adultos, enquanto os adultos adorariam voltar para a infância, onde dispunha de certo tempo para poder brincar.
Algumas outras práticas sociais históricas também fortalecem a criação de padrões, quando temos brinquedos de carros, armas, bonecos de ação etc., para meninos, enquanto as meninas ganham brinquedos que reproduzem o cuidado com a casa, com a beleza e com o ato de serem mãe e importância de cuidar de crianças. Práticas que são perpetuadas, mesmo com todas as conquistas do feminismo no decorrer da história humana.
Não podemos deixar de salientar que, referente ao tempo para brincar, os pais ou responsáveis pelas crianças vão embutindo na rotina das crianças inúmeras atividades, como natação, inglês, informática, ballet, futebol, reforço escolar, redação etc., ou seja, o tempo para brincar vai se exaurindo, a criança passa a ter uma quantidade de afazeres que os próprios pais reclamam em suas vidas. E, por mais que possa considerar o ballet, o futebol, a natação ou outro esporte como uma brincadeira, pode-se lembrar que geralmente ele são cobrados como necessidades e serem bem feitos, como se tivesse que conseguir realizar o sonho dos responsáveis, ou que aquilo vá ser o “ganha pão” da criança. É necessário brincar para se divertir, sem cobranças.
Os pais, professores e adultos próximos às crianças podem trabalhar como mediadores, procurando trazer todas as mensagens que estão embutidas nas publicidades, evitando que as mesmas entrem na escola, em casa, ou na rotina da criança e possam façam parte da vida das mesmos, emancipando-as para que possam identificar tais práticas e julgá-las, podendo assim alterar sua realidade.
Como professor de educação infantil, posso relatar que essa primeiro nível da escolarização possui os mesmos enfrentamentos dos outros níveis de ensino, e o papel do professor demonstra até mesmo ir além, pois o que notamos nesta faixa etária, é o desconhecimento de brincadeiras por parte das crianças e a falta de contato com atividades, as quais grande parte dos pais relatam terem feito parte de sua infância, piques, queimado, rodas, amarelinhas, galinha choca, banho de mangueira, disputa de corrida etc. Se essas atividades fizeram parte da infância dos pais, por que os mesmos não apresentam para seus filhos? Por que os pais reclamam do interesse da criança pela televisão e por aparelhos eletrônicos?
Encontramos, portanto, uma supervalorização dos brinquedos comprados, eletrônicos frente aos brinquedos construídos pelas próprias crianças, ou brincadeiras em grupo etc. A sociedade prega um individualismo e competitividade, esses, entre outros fatores agregam a ideia do brincar só. Esses outros fatores podem ser encarados pela violência existente e difamada pela mídia já citada, onde, então, o medo domina não permitindo que as crianças brinquem nem mesmo em frente a sua casa, ou no prédio do amigo etc. Enclausuradas em pequenas casas, apartamentos etc., em locais ditos violentos, as crianças ficam presas, sendo enxertadas por brinquedos que as distraiam, que tomem seu tempo, que não precise do outro, nem sequer para ensiná-las a brincar. Assim, videogames, celulares, tablets, computadores e amigos virtuais são as grandes companhias das crianças, por vezes educadores e na grande maioria, como já dito, babás. Infâncias que vão passando sem vivenciarem a brincadeira em sua essência, o contato com o outro, com a criação, a ludicidade etc.
É preciso saber o que é infância, e que esse conceito até o século XVII não era valorizado, a criança era vista como um pequeno adulto, se vestiam e possuíam hábitos tais quais os adultos. A partir do século XVII que devido a reformas e novas visões em relação à criança, que a mesma foi sendo valorizada, estudada e tendo um espaço particular dentro da sociedade, como um ser em formação e necessário de respeito e instituições que atendessem e entendessem o pensamento infantil.
 Fortuna (2003), comentando o estudo de Phillipe Ariès, nos remete a um conceito de infância, o qual “a infância é, pois, uma criação da sociedade sujeita a mudar sempre que surgem transformações sociais mais amplas, o que põe em evidência a importância do mundo social na conformação do sujeito”. Nota-se que a infância sofre influência da sociedade, portanto altera-se de acordo com o momento e local social o qual a criança está inserida. Assim, crianças de diferentes classes sociais e períodos históricos, possuem infâncias distintas, tendo as mesmas, a ausência da família, influência da mídia e diversos fatores que lhe ocupam o tempo em que deveriam estar interagindo e brincando com os amigos.

Conclui-se então, que a cultura e sociedade interferem no que é ser criança, e vivemos em uma cultura que não valoriza o brincar, que não valoriza a interação com o outro e as atividades em grupo etc. O adulto, como membro da sociedade e motor da mesma, é a principal influência para os pequenos, e como referência que é, deve estar atento para o que transmite, assiste e o que propõe. Portanto os adultos influenciando e sendo influenciados, devem pensar e medir suas atitudes, não deixando que a infância seja um ensaio da juventude ou da fase adulta, voltando de ré na história.

"Felicidade é o caminho e não o destino". Seja mais e tenha menos!

Muito bom vídeo sobre o consumo, sobre ganância x sustentabilidade, sobre ter x ser, sobre consumir x ser feliz. Assista e reflita.

"Criança a alma do negócio". Vídeo completo, assistam, muito boa reflexão sobre o consumismo, influência da mídia etc.


BRINCADEIRA OU MALDADE.

André Luis L. de E. Fagundes
Felipe Silva Dantas

Toda brincadeira é válida?
Partindo dessa pergunta que vamos entrar em um assunto que causa inúmeras problematizações e grandes discussões. Até que ponto a brincadeira deixa de ter validade e se torna uma maldade? Essa é uma das intenções desse texto, diferenciar o brincar da “zoeira”, ou seja, o ato de zoar, praticar o tal famoso bullying ou agredir alguém para sua própria diversão ou de um grupo. Ou seja, praticar uma violência em prol da alegria de um grupo ou apenas uma pessoa. Será que realmente é válido realizar uma brincadeira para se divertir, faltando com o respeito com o próximo?
Antes de começarmos a explanar sobre o assunto, vamos buscar o significado das palavras zoar, brincar e bullying, para diferenciarmos ambas e mostrarmos que existe uma relação próxima entre bullying e zoeira, mas que também se confunde alguns dos possíveis significados de zoar com o brincar, o que para muitos, valida o ato de zoar como uma simples brincadeira, sem pensar o que pode estar por detrás de tal ato, ou o que pode gerar na pessoa que sofre tal ação.
Segundo o dicionário informal online (http://www.dicionarioinformal.com.br), zoar tem alguns significados, como por exemplo: “1. Fazer bagunça, atrapalhar, encher o saco. 2. Tirar sarro de alguém, debochar. 3. Brincar, se divertir.” Como podemos observar, zoar pode ser encontrado como um sinônimo de brincar, como usado pelo exemplo do próprio dicionário informal, “Vem aqui em casa zoar com a gente!/ Brincar, se divertir com a gente.” Mas como podemos observar, zoar não é só sinônimo de brincar, de se divertir, mas de tirar sarro, encher o saco, debochar, atrapalhar, bagunça etc., ou seja, existe uma linha tênue entre o brincar e o zoar, pois nem sempre quando se zoa está somente brincando, pois pode estar maltratando, ou praticando bullying com alguém, que é um tipo de violência, como podemos observar no significado da palavra.
Bullying, segundo a revista Nova Escola da editora Abril, podendo ser vista a reportagem em http://revistaescola.abril.com.br/formacao/bullying-escola-494973.shtml nos apresenta definições sobre o ato do Bullying, que seria “uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas.” De acordo com o surgimento do termo, a palavra bullying vem da palavra inglesa bully, que significa brigão ou valentão, do ato de tiranizar, oprimir, amedrontar, ameaçar, humilhar e maltratar.
Desta forma, temos a na zoeira uma forma que pode ser de brincar, porém que pode ou vá afetar o outro, maltratando, debochando, humilhando, ou seja, praticando bullying, oprimindo e violentando a pessoa que sofre.
Mas como dito anteriormente, vamos buscar significado para o brincar, o que seria o brincar, será que entre os significados de brincar vamos encontrar o ato de zoar? Segundo o dicionário Michaelis da UOL, brincar tem os diversos significados, entre eles, de divertir-se, infantilmente e ludicamente (exercendo o papel ou atividade de), entreter-se; folgar, foliar, não levar as coisas a sério; galhofar, zombar, ataviar. Portanto, encontramos a palavra zombar, que segundo o google pode significar “fazer caçoada por brincadeira ou para provocar.” De certo, zoeira, zombaria e brincadeira podem ser confundido por meio dos significados, desta forma, alguém pode provocar o outro, achincalhá-lo, caçoá-lo, tirar sarro ou encher o saco do outro brincando, porém, o que então vai definir essa linha que cruza os significados das palavras não é o português, mas o respeito.
Então, para podermos continuar esse assunto precisamos entrar no mérito da ofensa, da falta de respeito, da agressão, dos mal tratos, da humilhação, da opressão etc., de uma gama de palavras que evidenciam a violência e o preconceito. Mas porque preconceito? Talvez você possa estar se questionando sobre isso, então vamos refletir sobre as pessoas que geralmente sofrem o bullying ou a zoeira.
“Chupeta de baleira”, “rolha de poço”, “baleia”, “bola 7”, “rei momo”, “bola de sebo” entre outros, esses são apenas alguns dos “apelidos” que as pessoas acima do peso sofrem geralmente de pessoas mais magras do que elas. Será que ser magro é ser superior e te dá o direito de humilhar o outro?
“Viadinho”, “mão mole”, “que agasalha o croquete”, “morde fronha”, “queima rosca”, “engole cobra”, “gazela”, “cola velcro”, entre outros, são “apelidos aferidos aos homossexuais, mas deixo a mesma pergunta, será que ser heterossexual é ser superior e te dar o direito de oprimir, achincalhar e humilhar o outro por ser diferente?
“Chup chup de petróleo”, “macaco”, “comedor de banana”, “azulão”, “grande pássaro”, “boneco de vudu”, “blackout”, “suco de pneu”, “luto eterno”, “zé gotinha da Petrobrás”, “escravo”, “pé na senzala”, entre tantos outros “apelidos” servem para desmerecer e humilhar os negros, mas será que ser branco te dá esse direito?
O que podemos perceber é que quando se foge a determinado padrão, automaticamente se corre o risco de sofrer apelidos humilhantes, ora, isso é preconceito. Isso é relação de poder, isso é opressão. Vamos falar um pouquinho de preconceito, mas sem querer fugir do tema.
sm (pre+conceito) 1 Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 2 Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão. 3 Superstição que obriga a certos atos ou impede que eles se pratiquem. 4 Sociol Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos. P. de classe: atitudes discriminatórias incondicionadas contra pessoas de outra classe social. P. racial: manifestação hostil ou desprezo contra indivíduos ou povos de outras raças. P. religioso: intolerância manifesta contra indivíduos ou grupos que seguem outras religiões. (Michaelis, em 23/04/2014)
Alguns dizem que as pessoas nascem com seus preconceitos, ou seja, o preconceito seria inato ao homem, contudo podemos até aceitar esse comentário como mais um fator, pois é notória a aversão do homem com o desconhecido, ou com o que não faz parte do seu convívio, dito estranho a si. Porém, traçando esse tipo de pensamento, logo se quisermos nos aprofundar, e pensarmos que o homem é um ser histórico-sócio-cultural, como propôs Vygotsky em seus estudos, impregnado de conceitos, comportamentos e saberes pré-estabelecidos por seus antecessores e pela cultura dominante, iremos notar que preconceito é uma prática social, portanto impregnada e perpassada pelas relações sociais.
Uma cultura autoritária e padronizada, que valoriza o homem, heterossexual, branco, europeu ou norte-americano, rico etc., logo o que não condiz com essa realidade é considerado estranho ou fora do padrão considerado dominante. Será então que a zoeira não estaria ligado ao preconceito? Nós cremos que sim.
Mas muitos vão falar que é apenas uma brincadeira, que hoje em dia tudo é preconceito, que estamos aumentando etc. Ora, se vai faltar com o respeito, humilhar o outro, tentar diminuí-lo por uma característica é sim uma maldade e pode causar severos danos àquela pessoa. Por detrás dessas brincadeiras sempre há um fundo de verdade e, geralmente quando querem ofender o outro, o que antes era brincadeira vira ofensa, ou seja, até que ponto você pode dizer que isso é uma brincadeira ou uma ofensa, lógico que devemos sempre analisar o contexto, mas mesmo que possa demonstrar uma brincadeira, é algo desnecessário e que pode magoar, deprimir, estigmatizar e gerar uma posição de auto-preconceito.
Muitas pessoas precisam de tratamentos longos e dolorosos com psicólogos, psiquiatras etc., devido a não se sentirem bem recebidas, vistas, por sofrerem esses tipos de brincadeiras etc. Muitas entram em depressão, se afastam, se exilam e até mesmo tentam a morte por não se sentirem aceitas, por levar isso em consideração e não se aceitarem e conseguirem suportar o preconceito e humilhação diária.
Então amiguinhos, vamos pensar duas vezes antes de fazer esse tipo de brincadeira, vamos pensar até que ponto a zoeira é brincadeira, até que ponto a zoeira vira violência. Devemos respeitar o próximo como queremos que o outro nos respeite. Você gostaria de ser chamado de macaco, viadinho, bola de sebo, manco, ou qualquer outra coisa que te deprecie? Você gosta de ser humilhado na frente dos outros? Você gosta de ouvir que lugar de mulher é no tanque? Você gosta de ser estereotipado somente por uma característica, de ser generalizado, de ser humilhado, de não ser reconhecido por todo seu valor?
Acha certo “brincar” de jogar água em um mendigo? Imitar que está comendo banana para um negro? Bater em uma pessoa porque ela é quieta ou com menor porte físico? Excluir a pessoa de algum esporte por ela ser gorda? Pense, reflita, essa violência é constante em nossa sociedade. Será que essas “brincadeiras” não reforçam o preconceito, a exclusão, a segregação etc.?
Já chega de tanta maldade escondida por trás de boas intenções. Se queremos um mundo mais legal, vamos brincar, mas com a certeza que em tudo que fazemos nessa vida dessa estar permeado pelo amor, pelo respeito, pela solidariedade e pelos princípios éticos e fundamentais para vivenciarmos um mundo melhor.

ISAAC é desafiado a jogar água em um mendigo, e ai.... Veja o vídeo e a reação de Isaac sobre essa tal "zoeira".


Um pouco mais sobre BULLYING e suas possíveis consequências.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

VOCÊ CONHECE ESSA BRINCADEIRA? CONHEÇA, BRINQUE E, NÂO ESQUEÇA DE PARTICIPAR DA ENQUETE.

QUEIMADO OU QUEIMADA


A brincadeira denominada QUEIMADO ou QUEIMADA se joga com duas equipes de preferência com mais de três participantes em cada equipe, em um espaço aberto que pode ter linhas marcadas ou objetos para determinar o centro que divide as duas equipes. Para "queimar" o oponente da equipe adversária utiliza-se uma bola (não muito pesada para não machucar) que deverá ser arremessada com as mãos. Se a bola encostar em qualquer parte do corpo a pessoa que foi "queimada" deverá ir para a "cadeia", que é localizada na parte do fundo do espaço onde está a equipe adversária. Se a bola encostar no chão antes de tocar no oponente a jogada já não vale mais. Se o adversário agarrar a bola arremessada por alguém a pessoa que arremessou é que vai para a "cadeia" do outro lado. Quando alguém vai para a cadeia, não deixa de participar do jogo, pode fazer estratégia com sua equipe. Um companheiro poderá jogar a bola bem alta atravessando o campo adversário desarmando a defesa e o preso poderá agarrar a bola e queimar rapidamente o adversário que estiver próximo dele. Quando o preso consegue acertar um adversário ele ganha o "habeas corpus" e sai da cadeia. Essa estratégia também pode ser usada para cansar o adversário que ficará correndo de um lado para o outro.

PULAR CARNIÇA


A brincadeira de PULAR CARNIÇA consiste no ato de pular sobre o seu amigo, para que depois ele pule sobre você. A brincadeira pode ter 2 ou mais pessoas e, sempre o último da fila irá pular sobre o(s) seu(s) amigo(s), para que depois de pular todos se agache para ser pulado pelo restante da fila. É necessário que a pessoa que esteja agachada, de preferência esteja encolhida, dando condições para que o outro consiga pular, usando de apoio as costas do colega agachado, sem riscos de machucar a si próprio ou o amigo. Dependendo da habilidade dos participantes pode ter variações no modo de pular, sem usar as mãos, segurando algum objeto, ou fazendo contra o tempo etc. O importante é que a brincadeira tenha segurança e seja divertida para todos. Se você já brincou ou não, que tal tentar e lembrar a infância?

BANDEIRINHA


BANDEIRINHA é uma brincadeira entre times. Primeiramente é necessário escolher os times, quanto mais equilibrado, melhor ficará a brincadeira. É preciso que tenha um espaço amplo, para que os participantes possam correr. O campo é dividido ao meio, e no fundo de cada campo faz-se um círculo onde ficará a bandeirinha do time adversário. A bandeirinha não precisa ser propriamente uma bandeira, pode ser um chinelo, uma bola, ou qualquer outro objeto que represente a bandeira. A brincadeira consiste em atravessar o campo sem ser pego, pegar a bandeirinha e voltar para o seu campo, o time que conseguir isso primeiro ganha o jogo. Se o jogador for pego no campo adversário ele ficará "colado" como uma estátua e precisará de outro jogador do time ir até ele e encostá-lo, para que volte ao jogo. Se o jogador for "colado" com a bandeira na mão, a bandeira volta para o círculo onde começa o jogo. Não se pode "colar" o jogador dentro do círculo da bandeira. Os jogadores precisam de estratégias para conseguir ganhar o jogo, como correr em grupo, ter jogadores para defenderem a bandeira etc. O mínimo necessário para que possamos ter uma brincadeira divertida são de 3 pessoas em cada time. Tá na hora do jogo, vamos brincar.

BATER BAFO






A brincadeira de BATER BAFO consiste em tentar virar um montinho de cartas ou figurinhas (de forma que a frente da cartas fiquem viradas para baixo) com o vento ou o vácuo que é produzido pelo movimento das mãos em formato de concha. Cada participante coloca no montinho um número igual de cartas ou figurinhas. Os participantes decidem na sorte quem será o primeiro a jogar, isso pode ser através de par ou ímpar ou na moeda. Em alguns lugares pode acontecer de os participantes passarem cuspe na mão para as cartas ou figurinhas grudarem e acabarem virando, mas isso é PROIBIDO além de ser muito anti-higiênico.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Bem - vindos!

Sejam bem-vindos!

Essa é uma página em criação. Aguardamos críticas e ideias para que possamos construir algo que auxilie a todos em práticas educativas.